por Lina Menezes
Não raras vezes, na família que recebe o diagnóstico de Alzheimer, surge uma preocupação imediata: “Quem vai decidir por ela agora?”.
Mas, veja, essa pergunta, muitas vezes, chega antes da hora. Porque o diagnóstico, por si só, não retira direitos nem impede a pessoa de continuar fazendo escolhas sobre a própria vida.
Isso sem falar que, em muitos casos, a pessoa identifica que está com problemas de memória, mas não sabe ou não quer saber do diagnóstico propriamente dito. E não há problema: cada um tem seu tempo de assimilação.
É importante lembrar que cada caso evolui de maneira diferente e que, principalmente nas fases iniciais, muitas pessoas mantêm capacidade para participar de decisões importantes.
Portanto, nada de afastar a pessoa das conversas sobre seu futuro. Há maneiras delicadas, mas práticas, de averiguar preferências, organizar documentos, definir quem poderá ajudar em questões financeiras ou de saúde e registrar desejos para os próximos anos. Planejar não significa desistir da autonomia.
Se, em algum momento, a curatela se tornar necessária, ela continua existindo de maneira parcial, ou seja, da forma mais limitada possível, amparada pela legislação brasileira, como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências.
A proteção jurídica não deve substituir a vontade da pessoa, mas ajudá-la a permanecer protagonista de sua própria história pelo maior tempo possível.
E, mesmo quando ela não tiver mais capacidade de decidir e precisar de ajuda frequente, é essencial tratá-la com dignidade, respeitando seu jeito, seus valores e sua história.
Lina Menezes
Diretora do Tudo Sobre Alzheimer (tudo sobre alzheimer )
Diretora da Faz Muito Bem – Saúde e Longevidade
Co-autora dos Livros Direitos e Alzheimer e Gente Envelhescente: Inspirações.
