Por Christina Mattos
O Mapa do Cuidado avança no levantamento nacional de serviços gratuitos voltados a pessoas que vivem com Alzheimer e seus familiares cuidadores. A plataforma pública da Febraz já apresenta 25 iniciativas em sete estados, com atedimento estimado em 4,7 mil pessoas por mês, e está aberta a novos cadastros de todo o Brasil.
A Febraz convida organizações da sociedade civil, serviços públicos, universidades e projetos comunitários a integrarem a plataforma. O número atual corresponde às iniciativas já identificadas, cadastradas e publicadas no Mapa do Cuidado, e não ao total de serviços existentes no país. O formulário de inscrição está disponível aqui.
Quem pode integrar o Mapa do Cuidado
O critério essencial para fazer parte do Mapa do Cuidado é a oferta de atendimento gratuito, sem custo para o público beneficiado. Cada registro apresenta a descrição das atividades, os critérios de acesso, os contatos e a localização. A ferramenta permite pesquisar as iniciativas por estado, município, tipo de serviço, modalidade de atendimento e público atendido.
Entre os serviços cadastrados estão consultas, exames, fisioterapia, assistência social, musicoterapia, outras terapias não farmacológicas de estimulação cognitiva, acolhimento e orientação jurídica. Os atendimentos são oferecidos nos formatos presencial, on-line ou híbrido.
Atualmente, São Paulo concentra o maior número de iniciativas no Mapa do Cuidado, com nove cadastros. Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná apresentam quatro cada. O Rio Grande do Sul tem dois, enquanto Ceará e Alagoas contam com uma iniciativa em cada estado.
Serviços públicos, universidades e iniciativas comunitárias
A plataforma reúne serviços públicos, ambulatórios, hospitais, projetos universitários e iniciativas comunitárias. Entre eles estão o Centro-Dia de Atendimento para Pessoas Idosas com Alzheimer e Familiares, mantido pela Prefeitura de Volta Redonda, o Programa Maior Cuidado, da Prefeitura de Belo Horizonte, o Hospital Geral de Fortaleza e a ABRAz Regional Alagoas, em Maceió.
O Mapa inclui também três associações federadas à Febraz. A Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes (APAZ)que atua há 35 anos no Rio de Janeiro e oferece acolhimento, orientação e atividades para familiares cuidadores.
Em Londrina, o Instituto Não Me Esqueças (INME) realiza cerca de 800 atendimentos por mês, com estimulação cognitiva, musicoterapia e orientação às famílias. Em Curitiba, o Instituto Alzheimer Brasil (IAB) mantém grupos de apoio e atividades de socialização em formato híbrido.
Experiências de quem atua diretamente no cuidado
Além das informações sobre cada serviço, o Mapa do Cuidado publica textos jornalísticos sobre experiências desenvolvidas em diferentes localidades. As entrevistas permitem conhecer práticas, públicos atendidos, formas de funcionamento e desafios enfrentados por quem atua diretamente no cuidado.
“O Mapa do Cuidado nasceu da necessidade de aproximar as famílias dos serviços existentes, mas seu papel vai além da busca por atendimento. Ao organizar essas informações, conseguimos ampliar a visibilidade das iniciativas e compreender melhor como o cuidado em demência está distribuído no país”, afirma Elaine Mateus, presidente da Febraz.
Elaine ressalta que muitas iniciativas permanecem pouco conhecidas fora de suas comunidades. “Ao aproximar profissionais e organizações, o Mapa favorece a troca de conhecimentos e o fortalecimento de uma rede de cuidado centrada na pessoa que vive com demência”, completa.
Informações que podem contribuir com políticas públicas
A sistematização dos dados também pode contribuir com o trabalho de pesquisadores, gestores públicos e formuladores de políticas, facilitando a identificação de diferenças regionais, tipos de atendimento disponíveis, públicos alcançados e necessidades ainda não atendidas. Essas informações podem subsidiar o planejamento de ações e a tomada de decisões baseadas em evidências.
“Queremos que o Mapa do Cuidado seja útil para diferentes públicos. Para as pessoas que vivem com demência e seus familiares cuidadores, ao facilitar a localização de serviços. Para profissionais e organizações, ao ampliar a visibilidade e favorecer a articulação em rede. E para gestores, ao reunir informações mais organizadas sobre o cuidado disponível no país”, conclui a presidente da Febraz.
Cadastre ou indique uma iniciativa
Organizações da sociedade civil, serviços públicos, universidades e projetos comunitários que ofereçam atendimento gratuito podem solicitar a inclusão de suas iniciativas no Mapa do Cuidado.
Acesse o Mapa do Cuidado:
https://mapadocuidado.febraz.org.br/
