Hospital francês integra cuidado em demências e apoio a familiares

Federação Brasileira das Associações de Alzheimer

O Hôpital de Fourvière, em Lyon, reúne em uma mesma estrutura atendimento geriátrico, reabilitação, suporte a cuidadores e serviços voltados a pessoas com alterações cognitivas e de comportamento. Privado e sem fins lucrativos, o centro de gerontologia integra a rede do serviço público de saúde. Durante a 37ª Conferência Global da Alzheimer’s Disease International (ADI), realizada de 14 a 16 de abril, o hospital recebeu a visita de participantes do encontro, entre eles a presidente da Febraz, Elaine Mateus.

A proposta chama atenção por articular diferentes níveis de cuidado. O hospital recebe mais de 2 mil pessoas por ano e conta com 265 leitos e vagas, distribuídos entre cuidados médicos e reabilitação, cuidados de longa duração e hospital-dia. Também mantém unidades voltadas a pessoas com transtornos de comportamento.

A organização parte de uma visão ampla do envelhecimento. No Fourvière, a abordagem considera aspectos médicos, psicológicos e sociais da pessoa idosa. O cuidado se organiza antes, durante e depois da hospitalização, em articulação com a rede, com o objetivo de favorecer, sempre que possível, a reinserção social e o retorno ao domicílio ou a outro local adequado à situação de cada pessoa.

Outro ponto de destaque é o apoio aos cuidadores informais. Entre as consultas externas oferecidas pelo hospital estão atendimentos para transtornos de memória, avaliação geriátrica, prevenção da incontinência, diabetes, avaliação nutricional e prevenção da desnutrição.

O suporte aos familiares e amigos cuidadores se desdobra em várias frentes. O hospital mantém o espaço “Pause Aimants”, com escuta individual, consulta médica e grupos de apoio. Também oferece oficinas gratuitas de relaxamento e promove, ao longo do ano, um ciclo de seis conferências presenciais e remotas sobre temas práticos do cotidiano do cuidado, como os primeiros sinais da doença, as mudanças de comportamento, as possibilidades de apoio para manter a pessoa em casa, o papel do(a) cuidador(a) e medidas de proteção. Em parceria com a France Alzheimer, realiza ainda uma formação gratuita para parceiros e parceiras de cuidado.

A vida social dentro da instituição também aparece como parte importante dessa proposta. O hospital promove atividades que favorecem o convívio das pessoas acolhidas, com participação de animadores e associações de voluntários para fortalecer vínculos sociais e contribuir para que a pessoa siga como protagonista de sua própria vida.

“Integrar serviços não é apenas reunir diferentes iniciativas em uma linha, mas organizar o cuidado a partir da jornada real da pessoa e de sua família”, afirma Elaine Mateus. “Quando falamos em cuidado integrado, estamos falando de algo muito maior do que a soma de serviços. Trata-se de compreender a jornada da pessoa com demência e de sua família — antes, durante e depois do diagnóstico — e estruturar respostas que façam sentido em cada etapa desse percurso”, explica.

Este é um desafio relevante da realidade brasileira: transformar serviços existentes em percursos mais articulados, compreensíveis e contínuos para quem vive a experiência da demência. Integrar o cuidado, nessa lógica, significa reduzir rupturas e evitar que famílias precisem se reorganizar sozinhas a cada nova necessidade.

Para saber mais sobre o hospital francês, acesse: Hôpital de Fourvière

Fotos: Hôpital de Fourvière.