Como ajustar o cuidado às necessidades de quem vive com Alzheimer

Federação Brasileira das Associações de Alzheimer
Por Lindsey Nakakogue

A doença de Alzheimer exige planejamento e acompanhamento contínuo. As necessidades se modificam ao longo do tempo, e a assistência deve acompanhar essa evolução. A pessoa diagnosticada e seus familiares precisam receber orientação para compreender o que está acontecendo e se preparar para as dificuldades que podem surgir.

O Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro, aborda em 2026 o cuidado seguro das doenças não transmissíveis. A campanha da Organização Mundial da Saúde destaca os riscos envolvidos em tratamentos que se estendem por muitos anos e passam por diferentes profissionais e serviços. Essa discussão faz parte da rotina de quem vive com Alzheimer e outras demências.

A segurança nos estágios iniciais pode depender principalmente da supervisão de algumas atividades. Precisamos observar se a pessoa consegue cozinhar sem esquecer uma panela no fogo, usar os equipamentos de casa ou circular sozinha sem se confundir com os caminhos. A progressão do quadro pode trazer dificuldades para organizar medicamentos e consultas, manter a higiene, alimentar-se e beber água. Essas limitações exigem ajustes no apoio oferecido.

A participação nas decisões deve ser preservada. O diagnóstico não retira automaticamente a capacidade de escolher. Cabe aos familiares e profissionais ouvir as preferências de quem recebe os cuidados, reconhecer o que essa pessoa ainda consegue fazer e ajudá-la nas tarefas que se tornam difíceis.

Um dos riscos é concentrar toda a atenção no Alzheimer e deixar outros problemas de saúde em segundo plano. Hipertensão, diabetes e osteoporose também exigem controle. Uma fratura, uma infecção ou o agravamento de outra condição podem repercutir sobre a cognição e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Por isso, precisamos considerar a saúde como um todo.

A vacinação integra esse planejamento. Episódios infecciosos podem piorar a cognição e a funcionalidade de quem já vive com demência. Manter as vacinas indicadas em dia ajuda a prevenir infecções e suas formas graves. O calendário vacinal deve ser revisto com a equipe de saúde, conforme a idade, o histórico e as condições clínicas.

O geriatra pode coordenar os tratamentos, especialmente quando existem várias doenças e diferentes profissionais envolvidos. A revisão dos medicamentos, a atividade física, o sono e a alimentação fazem parte dessa atenção à saúde. Fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e outras áreas podem contribuir conforme as necessidades individuais.

A frequência das consultas também varia. Alguns períodos permitem intervalos maiores. Outros exigem retornos próximos para ajustar a medicação ou avaliar alterações de comportamento. Familiares e cuidadores assumem uma participação crescente na organização de exames, consultas e tratamentos à medida que as dificuldades aumentam.

As fases mais avançadas podem trazer problemas para engolir, com risco de engasgos e aspiração de alimentos para os pulmões. A redução da mobilidade e as quedas também podem desencadear complicações. Reconhecer essas alterações permite orientar a família e adaptar a rotina.

O Setembro Lilás 2026 traz o tema “Alzheimer: o diagnóstico importa”. Identificar a doença nos estágios iniciais permite discutir as possibilidades terapêuticas e organizar os cuidados com maior participação da pessoa diagnosticada. Ela pode expressar suas preferências e contribuir para decisões sobre o próprio futuro.

Compartilhe com os profissionais que acompanham sua família as dificuldades observadas no dia a dia. Essas informações ajudam a rever as condutas e a definir o apoio necessário em cada etapa.

 

Lindsey Nakakogue

Diretora Científica da Febraz, médica formada pela Universidade Estadual de Londrina com residência em Clínica Médica na Unicamp e especialização em Geriatria na USP-SP. Professora de Medicina na PUC Londrina, com Mestrado pela PUC-PR e Doutorado em Saúde Coletiva pela UEL.