Alzheimer entra na agenda econômica global com Declaração Canadense no G7

Federação Brasileira das Associações de Alzheimer

Por Christina Mattos

O G7 começa a tratar o Alzheimer como um desafio econômico global e não apenas uma questão de saúde pública. O grupo, que reúne as sete maiores economias democráticas do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), colocou o tema da saúde cerebral no centro de sua agenda sob a presidência do Canadá, em junho de 2025.

O marco foi o lançamento da Declaração da Economia Cerebral do Canadá, que parte de uma premissa poderosa: não há crescimento sustentável sem cérebros saudáveis. O documento propõe um novo olhar para a forma como o capital intelectual, nossas capacidades cognitivas, emocionais e sociais, é reconhecido, financiado e protegido.

Com base em estimativas do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), que calcula em US$ 3,5 trilhões ao ano o custo global das doenças cerebrais, a declaração pede urgência na prevenção e cuidados com as doenças neurológicas, que precisam ser tratadas como prioridade econômica.

A proposta é resultado de um esforço coletivo que envolveu mais de 100 líderes globais de alto nível dos setores público e privado, da academia e da sociedade civil. Foram meses de mesas-redondas, consultas e reuniões estratégicas, articuladas com a Cúpula de Líderes do G7.

O debate foi convocado por uma rede de instituições de ponta, entre elas a Sociedade de Alzheimer de Montreal, a Estratégia Canadense de Pesquisa Cerebral, o Centro de Inovação em Envelhecimento e Saúde Cerebral, a Colaboração de Alzheimer de Davos, o Conselho Europeu do Cérebro, os institutos do Cérebro Hotchkiss e de Ontário, a Universidade Rice e a Universidade de Calgary.

Alzheimer e produtividade

A Declaração Canadense propõe que a saúde cerebral seja tratada como infraestrutura econômica essencial — tão estratégica quanto energia, transporte ou conectividade. Isso significa investir em prevenção, diagnóstico oportuno, reabilitação, apoio a cuidadores e inclusão ativa de pessoas com neurodivergências ou declínio cognitivo.

É mais do que ampliar serviços, se trata de romper com o modelo fragmentado e excludente de cuidado, que ainda marginaliza quem vive com Alzheimer. A reabilitação, a atenção psicossocial e o suporte familiar devem ser reconhecidos como pilares de desenvolvimento social.

O Brasil tem a chance de se alinhar a uma agenda internacional baseada em inovação, equidade e inclusão. Mas, para isso, é preciso admitir: Alzheimer não é apenas um problema de saúde, é um desafio econômico, social e civilizatório.

Leia a Declaração da Economia Cerebral do Canadá  aqui.