Febraz participa de reunião com o BID sobre estratégias de cuidado para pessoas idosas

Federação Brasileira das Associações de Alzheimer

Vivemos mais, nascemos menos – e isso muda tudo.

De acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o mundo deve entrar, nas próximas décadas, na primeira era de despopulação desde a Peste Negra, no século XIV. Ao mesmo tempo, mulheres realizam três vezes mais trabalho de cuidado não remunerado que os homens, o que limita sua participação econômica. Eliminar barreiras à participação laboral feminina poderia aumentar o PIB em até 20%.

Esses números ajudam a dimensionar uma questão central: como vamos organizar o cuidado em sociedades que envelhecem rapidamente e seguem apoiadas em trabalho de cuidado invisível, principalmente feminino?

Foi neste contexto que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) promoveu uma reunião para discutir a iniciativa BID Cuida Brasil, voltada à criação de sistemas de cuidado para crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência.

A Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz) participou como representante da sociedade civil. A conversa contou com a mediação da economista Lívia Gouvea, especialista em proteção social e mercado de trabalho, e de outros integrantes da equipe do BID.

A presidente da Federação, Elaine Mateus, acompanhou a apresentação de dados sobre o envelhecimento na América Latina e a urgência de políticas públicas que apoiem tanto quem precisa de cuidado quanto quem cuida no dia a dia. Até 2050, uma em cada quatro pessoas na América Latina terá mais de 60 anos.

No Brasil, como em outros países da região, o cuidado na velhice ainda recai quase exclusivamente sobre as famílias – em especial sobre as mulheres – muitas vezes sem apoio, estrutura ou orientação adequada. No campo da demência, o cenário é ainda mais desafiador: há poucos serviços especializados, quase nenhuma política pública específica e um número crescente de diagnósticos.

A Febraz tem atuado para que as demências sejam tratadas como prioridade em saúde pública, buscando articulação com governos, associações e organismos internacionais. Para Elaine Mateus, a presença da Febraz nesse diálogo reforça a necessidade de incluir quem vive a realidade do cuidado na formulação de políticas:

“Nenhuma política pública funciona se não ouvirmos quem tem o diagnóstico e quem cuida. A Febraz conhece a realidade das famílias que vivem com a demência e entende o cuidado como uma responsabilidade coletiva.”

O BID está envolvido em projetos relacionados ao cuidado nos estados da Bahia, Ceará e Paraná, além de uma parceria com o governo federal para avaliar serviços de atenção domiciliar. A proposta é apoiar governos no desenho de modelos escalonáveis e sustentáveis, que integrem saúde, assistência social e qualidade de vida.

Mais informações no site:

https://www.iadb.org/pt-br/noticias/bid-lanca-bid-cuida-para-america-latina-e-o-caribe