Coalizão Nacional pelas Demência (CoNaDe) Começa a Dar Resultados

Federação Brasileira das Associações de Alzheimer

A iniciativa formada por lideranças em Alzheimer no Brasil tem mostrado sua força em ações recentes. Criada em 2024, a Coalizão Nacional pelas Demências (CoNaDe) nasceu justamente para unir ações e discutir estratégias de políticas públicas específicas. Na ocasião, havíamos recém conseguido a sanção presidencial da Lei Nacional de Cuidado Integral em Alzheimer (n. 14.878/24) e precisávamos dar continuidade às ações colaborativas e agregar saberes e competências à causa.

Tínhamos pela frente esse desafio de união e de convencimento do governo federal da importância da implementação da Lei. Acho sempre importante destacar aqui a visão e a proatividade da Dra. Elaine Mateus, presidente da Febraz, em transformar uma conversa de telefone numa das ações não-governamentais mais relevantes do segmento. A capacidade de escuta e de visão da Elaine, juntamente com seu senso de organização e de sentido na causa das demências, a coloca no justo e merecido lugar de destaque que ocupa.

Em poucas semanas, congregamos, pela confiança construída nos cinco anos de tramitação da Lei, líderes de pensamento e entidades. A ABRAz, a maior ONG de apoio a cuidadores do país, na pessoa da Dra. Celene Pinheiro, somou-se à aliança e veio fazer parte da coordenação. Pesquisadores renomados mundialmente, professores, militantes e duas das sociedades de especialidade médica mais relevantes para o tema, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e a Sociedade Brasileira de Geriatria e de Gerontologia (SBGG), também entraram na Coalizão, que, felizmente, conta com representantes de todas as regiões do país.

Desde o começo de 2025, a CoNaDe vem alcançando resultados interessantes. Vou destacar três ações nesse sentido:

  1. Elaboração compartilhada de um projeto para o Plano Nacional de Demências, já entregue ao Senador Paulo Paim (RS) e que aguarda oportunidade para ser apresentado diretamente ao Ministro Dr. Padilha;
  2. Campanha para sugestões e críticas ao novo PDCT da Doença de Alzheimer (documento que organiza como será feita a distribuição dos tratamento pelo SUS), que conseguiu mobilizar mais de 20 manifestações, em poucos dias, com relevante conteúdo técnico aceitas pelas CONITEC e que estão em análise;
  3. Participação no Seminário de Políticas Públicas da Folha de São Paulo, há poucas semanas, quando os três coordenadores da CoNaDe foram painelistas e conseguiram apontar caminhos tanto para a iniciativa privada quanto para o SUS.

E quais serão os próximos passos?

Há boas expectativas para as próximas ações da aliança, como a realização de cursos para formação de novas lideranças em advocacy, contribuições técnicas para as políticas já em andamento, como o Plano Estadual de Cuidado Integral em Demência do RS (PECID) e a ampliação do número de participantes. O site oficial está no ar e nele há, além do projeto para o plano nacional de demências, um formulário para interessados em ingressar no coletivo.

Acredito que, numa área tão sensível e cheia de dificuldades, o fortalecimento de uma aliança, constituída por pessoas voluntárias, tem o poder de causar transformações reais na vida de tantas pessoas que urgem por atenção.

O momento para mudarmos o jogo no cuidado em demências é agora.

Dr. Leandro Minozzo

Médico geriatra associado da SBGG, Prof. de Geriatria da Univ. FEEVALE. Mestre em Educação. Pós-MBA em Liderança. Doutorando em Gerontologia Biomédica. Autor de livros sobre longevidade e Alzheimer. Advocacy em demências. É um dos coordenadores da Conade (Coalizão Nacional em Demências). Idealizador do Plano Estadual de Cuidado Integral de Demências (PECID) do RS.