Por Lindsey Nakakogue
Desde 2022 muitos artigos foram publicados a respeito da possibilidade da dosagem de biomarcadores da Doença de Alzheimer por exame plasmático e alguns testes apareceram no mercado. Mas somente em maio desse ano o Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, aprovou o primeiro teste sanguíneo nos EUA: o Lumipulse G, que avalia a relação das proteínas pTau217 e beta- amiloide 1-42 no plasma.
A aprovação veio após um estudo clínico multicêntrico com 499 pessoas, que comparou os resultados do teste de sangue com os obtidos por exames já consagrados, como a punção lombar (líquor) e a tomografia por emissão de pósitrons com marcador de beta-amiloide (PET scan).
A sensibilidade do exame no plasma chega a 91% em relação a tomografia com marcador de beta- amiloide ou exame do liquor e especificidade de 97,3%. Ou seja, existe sim uma porcentagem de falsos positivos e negativos. Portanto, o diagnóstico da Doença de Alzheimer continua exigindo a anamnese detalhada, exame físico e testes cognitivos realizados pelo médico especialista. O exame de sangue sozinho não faz o diagnóstico.
O próprio FDA deixou claro que o Lumipulse deve ser usado apenas como ferramenta auxiliar, em pessoas com sintomas de prejuízo cognitivo, sempre com interpretação feita por um profissional capacitado, em conjunto com outras informações clínicas do paciente.
Há ainda a recomendação de cautela quanto à ansiedade que um resultado positivo pode causar, além do risco de intervenções prematuras em casos de falso positivo. Por isso, o teste é indicado somente para pessoas com 55 anos ou mais que apresentem sintomas, nunca como triagem em pessoas saudáveis ou com queixas inespecíficas.
No Brasil, existem alguns laboratórios que oferecem o teste sanguíneo, mas é importante saber que a dosagem dos biomarcadores no plasma ainda está sendo validada para a nossa população, por um grupo de pesquisadores no Rio Grande do Sul, com previsão de resultados em breve.
A dosagem de biomarcadores para a Doença de Alzheimer no plasma surge em momento oportuno, permitindo que, aliada à investigação médica, o diagnóstico seja realizado de forma mais rápida e precisa, possibilitando o início do tratamento ainda nas fases iniciais da doença. Quanto mais cedo o tratamento é instituído, melhor tende a ser a evolução.
Lindsey Nakakogue
Diretora Científica da Febraz, médica formada pela Universidade Estadual de Londrina com residência em Clínica Médica na Unicamp e especialização em Geriatria na USP-SP. Professora de Medicina na PUC Londrina, com Mestrado pela PUC-PR e Doutorado em Saúde Coletiva em andamento na UEL.
