Um levantamento sobre cuidadores familiares de pessoas com diagnóstico de demência no Brasil revela um quadro de intensa dedicação e empatia, mas também de sobrecarga e isolamento. Publicada neste mês na importante revista “Alzheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions” e conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a pesquisa teve 711 participantes potenciais triados, 381 completaram o questionário (taxa de resposta de 53%). Desses, 311 (82%) se identificaram como cuidadores não profissionais.
Os resultados indicam que esses cuidadores frequentemente se sentem despreparados (46%), podem ter uma percepção negativa de seu papel (39%), mas também se sentem recompensados pela atividade de cuidar (44%). As principais necessidades expressas incluem maior assistência por parte de outras pessoas (87%) e suporte emocional (62%).
“Os resultados mostram que os cuidadores brasileiros enfrentam desafios similares aos de outros países, mas com particularidades locais, como a falta de suporte estruturado. É essencial desenvolver intervenções culturalmente adaptadas e implementar políticas públicas no SUS para melhorar sua qualidade de vida”, afirma Alan Cronemberger Andrade, autor principal do estudo.
Para os pesquisadores, a superação desses obstáculos passa pela criação de programas de educação que ofereçam orientações práticas sobre demência, pela implementação de benefícios sociais que aliviem a pressão econômica e pela formação de redes de suporte capazes de prestar acolhimento emocional e dividir responsabilidades. A consolidação dessas ações no âmbito do SUS é vista como crucial para garantir direitos trabalhistas, acesso a serviços especializados e, sobretudo, reconhecimento ao trabalho muitas vezes invisível de quem cuida.
O estudo, realizado entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023 por meio de questionários digitais e entrevistas, reuniu especialistas em saúde, tecnologia e ciências sociais. O artigo completo está disponível em: https://doi.org/10.1002/trc2.70067 ..
