Uma iniciativa em Barcelona aposta na dança como forma de estimular o corpo, promover conexões sociais e despertar emoções em pessoas com Alzheimer. É com essa proposta que o projeto Dit-Dit, uma ação conjunta do Ace Alzheimer Center Barcelona e do Health Campus do Festival Peralada, tem demonstrado como a arte pode ser uma poderosa ferramenta terapêutica não farmacológica para pessoas com demência.
Nos últimos dois anos, 25 pessoas com Alzheimer, com idades entre 45 e 80 anos, participaram de sessões semanais de dança no Day Hospital do Ace Alzheimer Center. A proposta, idealizada pelos coreógrafos Aimar Pérez Galí e Jaime Conde-Salazar, com coordenação da equipe CondeGalí, foi pensada para criar um espaço seguro e afetivo onde a linguagem do corpo substitui as palavras, e o presente é vivido com alegria.
Para avaliar seu impacto, foram realizados testes de avaliação cognitiva, de equilíbrio e de qualidade de vida tanto no início quanto no final do projeto. Embora o pequeno tamanho da amostra não permita conclusões definitivas, os resultados preliminares indicam que, embora não tenha havido melhora percebida na cognição, funcionalidade e qualidade de vida percebida, houve uma resposta positiva evidente dos participantes, que conseguiram desenvolver formas de comunicação por meio de gestos e coreografias. Esses elementos contribuíram para o bem-estar emocional e social, além de maior estabilidade física.
“Dit-Dit nos mostra o potencial da dança para gerar bem-estar no momento presente, especialmente em pessoas com Alzheimer, que vivenciam e lembram das sensações de felicidade durante as sessões”, afirma a Dra. Mercè Boada, fundadora do Ace Alzheimer Center Barcelona.
“Este projeto demonstra o valor da integração de atividades criativas no campo da saúde. A dança facilita espaços de conexão que geram bem-estar nos participantes”, complementa Oriol Aguilà, diretor artístico do Festival Perelada.
O sucesso do projeto motivou a renovação da parceria e a continuidade do Dit-Dit neste ano, com o objetivo de beneficiar mais pessoas com Alzheimer e ampliar a base científica sobre os efeitos da dança na vida de quem convive com a doença.
Em um mundo onde ainda se busca a cura para o Alzheimer, iniciativas como esta nos lembram da urgência em elevar a qualidade do cuidado – agora – das pessoas que vivem com a doença. E nos mostram que a dança é um meio de trazer mais leveza, sensibilidade e alegria para todos.
Você pode ver um vídeo que registra uma das edições do projeto Dit-Dit no YouTube, o áudio e as legendas estão em espanhol :
Você conhece alguma iniciativa parecida acontecendo no Brasil?
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